rosa opaco, opulência e solidão
bem-vinde, tu estás ouvindo no radinho #05
Bom dia, Brasil. Boa tarde, Italia.
Já faz um bom tempo que eu quero fazer um radinho por aqui, pois tenho passado meus dias com fones de ouvido e tenho coisas boas para compartilhar.
Para abrir os trabalhos, pensei em começar assim. Um domingo desses, coloquei essa aqui pra tocar de manhã, enquanto eu e a Betta fazíamos um bolinho/pão de banana antes do almoço e ela amou 🍌
A conta Humano Studios traz DJs dos mais variados ritmos para tocarem seus sets e toda a monetização dos vídeos vai para quem possui os direitos das músicas.
as mais ouvidas do meu radinho
Como de costume, fui fazer o meu recap do mês passado no songstitch. Só que fiquei chateado que a maioria des artistas eram homens brancos e cabe a mim diversificar a minha biblioteca…
Apesar disso, rolaram uns disquinhos muito bons que eu quero compartilhar contigo.
MANAUERO
Para começar, vamos ao norte do Brasil. A Jambu fez um dos meus álbuns favoritos lá de 2023, com seu debut tudo é mt distante e em 2025 o quarteto botou pra quebrar de novo. Eu fico passado com a capacidade que a banda tem de fazer música que fica instantaneamente grudada no teu cérebro.
MANAUERO mal chegou e já me pegou com tudo, com uma mescla de ritmos e trazendo letras com vivências nortistas, crises da vida adulta e dor de amor. Destaque para o single incrível “latinoamericano”, “INCENDEIA” e “passatempo”, que ganhou esse clipe que exala beleza por todos os lados:
Autopsia
E falando em segundos trabalhos, Getúlio Abelha lançou a primeira parte de Autópsia e gente: só tem hit! (Não tá nos mais ouvidos do mês, mas foda-se, a newsletter é minha mesmo.)
Esses dias vi um post no bsky que era tipo “você é um gay Madonna, um gay Lady Gaga, um gay Britney Spears ou um gay Katy Perry”. Pois eu sou um gay Getúlio Abelha™! Ter conhecido o trabalho desse multiartista foi um presente (obrigado, Ray, pela indicação tantos anos atrás) e eu sou mais feliz desde então.
Mais uma vez, ele mostra por que é o “sad clown of forró”. O EP traz seu forró com letras tristes e safadas, sempre muito bem misturado a ritmos como tecnobrega, pop, cumbia e teve espaço até pra uma rockzêra. Getúlio faz tudo! Agora cabe a nós aprender as coreografias, incluindo a de “TODA SEMANA”, enquanto canto que “sou opulência e solidão”.
E ele ainda fez lyric video de todas as canções!
Little House
Quem acompanha o no radinho desde o início, viu a minha descoberta da Rachel Chinouriri e o meu amor por ela crescer ao longo do tempo. Depois de um debut album sensacional, ela lançou um EP curtinho e gostosinho, o Little House.
É difícil não ficar rapidamente obcecade com seu pop leve e sua voz potente. São quatro músicas, então eu não vou listar quais ouvir — ouça todas, por favor!
Depois que ouvir e se apaixonar, pode voltar e ouvir o What A Devastating Turn of Events. Mas deixo aqui uma palinha, na forma da versão ao vivo de “All I Ever Asked”, direto da tour Short n' Sweet Tour, onde a Sabrina Carpenter encerrou pra ela.
Before You I Just Forget / In Heaven
Não é por acaso que um álbum que saiu na metade do mês foi pro top 1. Fontaines D.C. não sai dos meus ouvidos e eu precisava trazer a versão deluxe do Romance aqui. São três faixas adicionais em relação a versão normal: “It’s Amazing to Be Young”, que já tinha saído como single, e as novas “Before You I Just Forget” e “Starburster / In Heaven (Lady in the Radiator Song)”.
“Before You I Just Forget” é uma canção estupenda, com uma progressão inesperada e com vocais um cadinho diferentes de Grian. Conor Curley, guitarrista da banda, falou justamente disso: “Before You I Just Forget is a song that started with a vision of this really blown out sound, something that heaved and shifted with new details becoming apparent every time you would listen. Like never being able to step in the same river twice, the song morphs and changes finishing with an incredible string part by Grian.”
“Starburster / In Heaven (Lady in the Radiator Song)” mistura o cover de “In Heaven” com uma versão lenta do single de abertura do álbum, “Starburster”. Eu não conhecia a música, então quando pesquisei e descobri que faz parte de Eraserhead e que era um tributo da banda ao Lynch eu fiquei chorinhos e de coração quentinho. E, na moral, que interpretação linda.
escrevendo cartinhas com Cocteau Twins
Recentemente fiz uma leva de cartinhas para enviar para o Brasil. E, enquanto escrevia para minhe amigue Anne, numa sexta-feira de manhã, sentado no bar e vendo a movimentação da feira, recebi uma luz de colocar Cocteau Twins para tocar.
Eu nunca fui muito a fundo nas suas músicas, só conhecia bem “Pearly-Dewdrops’ Drops”, que está na trilha sonora de As Vantagens de Ser Invisível. Então, imagine a minha surpresa quando dei play em dois de seus álbuns e foi a trilha sonora perfeitinha para o processo reflexivo de escrever para alguém que a gente ama. Alguns dias depois, descobri que era uma das bandas favoritas de ume nove amigue e eu amei a sincronia disso.
Agora, agorinha, fuçando no spotify descobri que tem uma compilação de 1986 chamada The Pink Opaque. The Pink Opaque, gente, tal qual a série fictícia de I Saw the TV Glow, o meu filminho trans! E, bom, dá para ver que teve bastante influência na estética também. Mais uma sincronia para a lista. Era meu destino mesmo (re)descobrir o Cocteau Twins.
ao vivo é mais gostoso
Desde o lançamento de DeBÍ TiRAR MáS FOToS o Bad Bunny tem estado na boca e no coração de latines espalhades pelo mundo. O álbum realmente é incrível e seu teor de resistência faz parte do nosso espírito. Então, é lógico que eu ia ter que trazer aqui a apresentação no tiny desk, que traz um destaque ainda mais especial pro instrumental nessa versão ao vivo.
novidades no meu radinho
Aquele momento de atualizar as tuas playlists e adicionar novos artistas à tua biblioteca.
shame
Já conhecia o shame de nome e, obviamente, tinha sido impactado pela belíssima capa do álbum de 2023 Food For Worms. Porém, só fui ouvir de verdade porque a banda britânica vai abrir uma parte da turnê do Fontaines D.C., então os verei ao vivo em breve. Ou já vi, dependendo de quando tu está lendo esse post.
Mais um caso de banda que estava sempre ali, como foi com o IDLES. Mas enfim, que baita curva para dizer que ouvi e curti pra caramba. Eles fazem um post-punk daquele jeitinho que eu amo. Aquela barulheira mais ou menos controlada.
City Mall
Conheci o City Mall porque acompanho o Pedro Spadoni (fka CATVIDS) e adorei o novo projeto do divo. O primeiro EP, Lobby Songs, saiu no finalzinho do ano passado e é recheado de um indie-synth-pop, com referências de jazz e city pop. O instrumental fica por conta do Pedro e de Matheus Del Claro e os vocais oníricos são de Mariana Stein. Para mim, o que dá mais charme à banda é o fato da sonoridade ter este gostinho introspectivo e caseiro, já que foi literalmente feito em casa.
ミドリ / Midori
Bah, se tem uma coisa que eu amo em música é a combinação de ritmos diversos — e quanto mais inusitado melhor. Meu sobrenome pode ser “do rock”, mas eu sou eclético ✌️
O Midori esteve em atividade entre 2003 e 2010, mas a sua bagunça de ritmos que vem entrelaçada aos vocais bem marcantes da Gotō Mariko vai viver para sempre. Vai um pouquinho de jazz punk aí? Meu conselho é começar pelo album あらためまして、はじめまして、ミドリです (Aratamemashite、 hajimemashite、 midori desu), de 2008. É bom demais.
Fim do volume 5. Gire o disco.
Espero que tu goste dessa curadoria, feita com carinho. Curtiu as recomendações ou tem algo para me indicar? Sou todo ouvidos!
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